“Eu deveria ter feito melhor.”
“Eu deveria conseguir.”
“Eu não posso errar.”
“Todo mundo consegue, menos eu.”
Você já percebeu quantas vezes fala consigo mesma dessa maneira?
A autocobrança pode aparecer de forma tão natural que muitas vezes nem percebemos o quanto ela está presente no nosso cotidiano.
Ela pode ser confundida com responsabilidade, dedicação ou vontade de crescer. Mas existe uma diferença entre querer melhorar e acreditar que nunca somos bons o suficiente.
Ter objetivos e querer evoluir não é um problema. A questão está na maneira como lidamos com nossos próprios erros e limitações.
Uma pessoa pode cometer um erro e pensar: “Não saiu como eu esperava. O que posso aprender com isso?” Outra pode pensar: “Eu sou um fracasso. Nunca consigo fazer nada direito.”
O acontecimento é o mesmo. A interpretação é diferente.
Quando a cobrança se transforma em crítica constante, ela pode aumentar sentimentos de ansiedade, culpa e inadequação.
O perfeccionismo muitas vezes é apresentado como uma qualidade. “Ela é perfeccionista porque gosta de fazer tudo bem feito.” Mas, dependendo de como aparece, pode ser bastante desgastante.
A pessoa pode adiar uma tarefa porque tem medo de não conseguir realizá-la perfeitamente. Pode revisar inúmeras vezes algo que já está bom. Pode ter dificuldade de aceitar elogios. Pode sentir que qualquer resultado abaixo do esperado representa fracasso. E pode passar muito tempo tentando evitar erros que são inevitáveis na vida.
Uma das consequências da autocobrança excessiva é começar a associar valor pessoal a desempenho.
“Sou boa quando produzo.” “Sou importante quando consigo ajudar.” “Sou competente quando acerto.” “Sou suficiente quando consigo cumprir tudo.”
Mas seu valor não deveria depender da sua produtividade.
Você continua sendo uma pessoa com valor quando está cansada, quando erra, quando precisa de ajuda, quando não consegue fazer tudo ou quando precisa começar novamente.
Não significa deixar de se responsabilizar pela própria vida. Significa trocar a agressividade pela consciência.
Em vez de pensar “Eu estraguei tudo”, experimente pensar: “Isso não saiu como eu queria. O que posso fazer diferente?”
Em vez de “Eu deveria conseguir”, talvez seja mais saudável pensar: “Talvez eu precise de ajuda ou de mais tempo.”
Em vez de “Não fiz o suficiente”, pergunte: “Eu fiz o que era possível dentro das condições que tinha?”
Essas mudanças parecem pequenas, mas podem transformar a relação que você estabelece consigo mesma.
Imagine que uma amiga chegasse até você e dissesse: “Eu errei.” Você provavelmente não responderia: “Você é incompetente.” Provavelmente tentaria compreender, acolher e ajudá-la a pensar no que fazer.
Então por que tantas vezes somos incapazes de oferecer a nós mesmas esse mesmo tratamento?
Autocuidado também passa pela maneira como você conversa consigo.
Você pode continuar buscando crescimento sem precisar se machucar emocionalmente no caminho.