Existe uma ideia bastante simplificada sobre autoestima: a de que uma pessoa com boa autoestima é aquela que se sente bonita, confiante e segura em todas as situações. Na prática, autoestima é algo muito mais profundo.
Ter autoestima não significa nunca duvidar de si mesma. Também não significa acreditar que você é melhor do que as outras pessoas. A autoestima está relacionada à maneira como uma pessoa reconhece seu próprio valor mesmo quando enfrenta erros, críticas, fracassos e momentos de insegurança.
Uma pessoa pode ser competente e ainda assim se sentir insuficiente. Pode receber elogios e continuar acreditando que não é boa o bastante. Pode conquistar coisas importantes e, mesmo assim, considerar que aquilo aconteceu por sorte.
Isso acontece porque a autoestima não é construída apenas a partir do que acontece externamente. Ela também está relacionada à interpretação que fazemos das nossas experiências.
Quando uma pessoa passa muito tempo condicionando seu valor ao desempenho, começa a acreditar que precisa produzir, agradar ou acertar para merecer reconhecimento. O problema é que essa lógica cria uma autoestima extremamente frágil. Quando tudo dá certo, ela se sente bem. Quando algo dá errado, sua percepção sobre si mesma desmorona.
As redes sociais também podem intensificar esse processo. O contato constante com recortes cuidadosamente selecionados da vida de outras pessoas cria comparações que quase nunca são equilibradas. Comparamos nossos bastidores com o palco dos outros e concluímos que estamos ficando para trás.
Outro aspecto importante é a relação entre autoestima e limites. Uma pessoa que acredita que precisa ser aceita por todos pode ter dificuldade para dizer não, estabelecer limites ou discordar. Muitas vezes, prefere suportar situações que lhe fazem mal a correr o risco de decepcionar alguém.
Construir autoestima, portanto, não significa repetir frases positivas diante do espelho até começar a acreditar nelas. Pode envolver um processo muito mais profundo de autoconhecimento, revisão de crenças e compreensão da própria história.
É aprender a reconhecer qualidades sem transformar isso em arrogância e reconhecer limitações sem transformar isso em desprezo por si mesma.
Também significa entender que cometer um erro não transforma uma pessoa em um fracasso. Uma crítica não determina seu valor. Uma rejeição não é uma sentença sobre quem você é. Um dia ruim não define uma vida inteira.
A autoestima saudável permite que uma pessoa olhe para si com mais realidade. Ela consegue reconhecer aquilo que precisa melhorar sem concluir que, por isso, não tem valor.
Talvez essa seja uma das formas mais maduras de autoestima: não precisar ser perfeita para conseguir se respeitar.