Fibromialgia será reconhecida como deficiência:
um passo histórico para quem convive com dor invisível

A partir de janeiro de 2026, pessoas diagnosticadas com fibromialgia passam a ser reconhecidas legalmente como Pessoas com Deficiência (PcD) no Brasil. A nova legislação (Lei 15.176/2025), recentemente sancionada, garante o acesso a direitos fundamentais — como cotas em concursos públicos e isenção de IPI na compra de veículos, entre outros avanços. 

Como psicóloga clínica e como pessoa que convive com fibromialgia e síndrome dolorosa crônica, recebo essa notícia com um misto de alívio e esperança. Porque eu sei — na pele — o quanto essa condição pode ser limitante, exaustiva e invisível aos olhos da sociedade. 

A dor que não aparece nos exames, mas transforma a vida 

A fibromialgia é mais que “dor no corpo”. Por isso é reconhecida como uma síndrome complexa, que envolve: 

  • Cansaço extremo 
  • Alterações no sono 
  • Dificuldade de concentração e lapsos de memória 
  • Crises de ansiedade e episódios depressivos 

Muitas pessoas que convivem com fibromialgia relatam o sentimento de não serem levadas a sério, de serem vistas como frágeis ou dramáticas. E esse desacreditar da dor machuca — muitas vezes — tanto quanto os sintomas físicos. 

Essa nova lei representa mais que um conjunto de benefícios. Ela é validação emocional e institucional. É o reconhecimento de que nossa dor é real. E de que merecemos suporte digno. 

Psicoterapia como ferramenta de cuidado

Psicoterapia como ferramenta de cuidado

A psicoterapia tem sido um dos pilares do meu próprio processo — e é uma ferramenta que recomendo com ainda mais consciência para quem enfrenta essa jornada.

A psicoterapia tem sido um dos pilares do meu próprio processo — e é uma ferramenta que recomendo com ainda mais consciência para quem enfrenta essa jornada.

No consultório, recebo mulheres que se sentem esgotadas, tentando se ajustar a demandas que não respeitam seus limites. Juntas, trabalhamos o resgate da autoestima, o enfrentamento da ansiedade, a reconstrução da rotina e, acima de tudo, a compreensão profunda de que é possível viver com dignidade — mesmo com um diagnóstico tão desafiador. 

Vale lembrar: o reconhecimento como PcD será feito com base em avaliação multidisciplinar — e nós, psicólogos, também participamos desse processo. Tanto na validação funcional, quanto no cuidado integral da pessoa. 

 Não é frescura. Não é preguiça. É real. 

Se você também convive com fibromialgia, quero que saiba: você não está sozinha. Eu te entendo — não só como profissional, mas como alguém que vive esses desafios todos os dias. E sei o quanto isso pode ser confuso, doloroso e solitário. 

Mas também sei que é possível viver com mais leveza, com mais compreensão, com mais suporte. 

Se quiser conversar ou precisar de alguém para caminhar junto com você nesse processo, estou aqui.